Monolito de Ouro 2008

wMonolito de Ouro 2008
Filmes que estrearam no Brasil entre 01 de janeiro e 31 de dezembro de 2008.


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wterça-feira, janeiro 03, 2006


Melhor filme:
Um Filme Falado; dir: Manuel de Oliveira
Manuel de Oliveira tem uma força esmagadora de cinema. Ao final de Um Filme Falado, é impossível levantar da poltrona por um tempo. O espectador, estático, lágrima nos olhos, corpo tremendo, olhou pro mundo ontem, hoje e amanhã, como nunca fizera antes. Cada fotograma e cada som são perfeitos. Manuel está em sua melhor forma.

Melhor direção: EMPATE
Clint Eastwood por Menina de Ouro
e
Vincent Gallo por The Brown Bunny
Eastwood e Gallo: dois cineastas tão diferentes e ao mesmo tempo tão próximos. Tão essencialmente americanos e tão tristes. Menina de Ouro, prova irrefutável (como se alguma ainda fosse necessária) de que Eastwood é o grande cineasta americano vivo (ao lado, talvez, de Carpenter). Jogando com sua própria imagem, cria um conto de amor filial onde só se via cinzas. E Gallo, em sua segunda jornada pela direção, faz de The Brown Bunny o cúmulo do road-movie, onde estrada e lugar são mais centrais que gente, mas que, paradoxalmente, vai falar de dores muito fortes. Ambos são filmes tristes e que, ao final, nos deixam com dificuldade de olhar para um futuro. Ninguém faz melhor.

Melhor ator:
Viggo Mortensen por Marcas da Violência
Quando um ator levanta a sobrancelha no cinema, faz um movimento de dois metros na tela. Levando essa máxima ao extremo, Viggo Mortensen desligou qualquer vestígio de interpretação em Marcas da Violência. Tomado pelo tom minimizado com o qual o filme é levado, o ator fez de longe a melhor interpretação de sua carreira e um personagem pra ficar na História.

Melhor atriz:
Téa Leoni por Espanglês
Do outro lado da corda, Téa Leoni faz caras, bocas e gritos em Espanglês, o conto-análise de James L. Brooks sobre a família americana. Trabalhando ao lado de todo um elenco espetacular, Leoni se destaca por saber conduzir perfeitamente a linha entre o desprezo e o carinho que o espectador vai olhar para sua personagem. E pelo menos dois momentos pra ficar no coração: a cena de sexo com Adam Sandler e a noite acordada, à espera do marido.

Melhor roteiro original:
Manoel de Oliveira por Um Filme Falado
Como se não fosse óbvio.

Melhor roteiro adaptado:
Josh Olson sobre a graphic novel “A history of violence”, de John Wagner e Vince Locke (Marcas da Violência)
Nenhum roteiro esse ano tomou tanto cuidado no seu desenrolar quanto o de Marcas da Violência. As coisas vão se revelando tão lentamente que é difícil não se tornar parte daquela história toda. OBS: Primeiro vencedor do monolito baseado numa graphic-novel e ainda concorrendo ao lado de Sin City, baseado em outra.

Melhores diálogos:
Espanglês
Paz Veja, Téa Leoni, Adam Sandler, Cloris Leachman e as meninas Shelbie Bruce e Sarah Steele formam a família de Espanglês, onde cada fala vem colada a um plano, um olhar que conquistam, sempre na corda bamba entre a acidez e o sublime.

Melhor ator coadjuvante: EMPATE
Deep Roy por A Fantástica Fábrica de Chocolate
e
Gary Beach por Os Produtores
Realmente não poderia haver empate mais interessante. Duas comédias deliciosas de se assistir. Deep Roy e Gary Beach, cada um a sua maneira, são os lados mais hilários de seus filmes. Ambos são o centro de atenção instantâneo cada vez que aparecem na tela. Fazem um uso tal de seus corpos, seja pela voz, seja pelo porte, seja pelo andar, que representam o que de melhor há na comédia hoje.

Melhor atriz coadjuvante:
Jane Lynch por O Virgem de 40 Anos
Dentro de um elenco tão surpreendentemente interessante (com destaque ainda para Steve Carrel e Paul Rudd), Jane Lynch fica apagada por quase todo o filme. Mas uma cena em especial deixa sua imagem marcada: a cantada muito, muito especial no protagonista. De deixar rindo por horas.

Melhor trabalho conjunto de elenco:
Espanglês
Já citado, com destaque especial para Téa Leoni (nossa melhor atriz), Chloris Leachman e Sarah Steele.

Melhor diretor estreante:
Alice de Andrade por O Diabo a Quatro
Foi difícil decidir qual dos três brasileiros levaria esse prêmio. Não por nenhum nacionalismo repentino, mas porque os três simbolizam novos e belos caminhos que nossa cinematografia pode tomar. Mas nenhum foi tão forte em seus acertos e seus erros quanto O Diabo a Quatro, com seu olhar interno pro organismo vivo que é Copacabana. E seus 20 minutos finais mostram uma sensibilidade arrepiante.

Ator revelação:
Steve Carrel por O Virgem de 40 Anos
Owen Wilson, Will Ferrel e Vince Vaughn acabam de encontrar um quarto irmão.

Atriz Revelação:
Maria Alche por A Menina Santa
Um rosto que se abre pra escritura do cinema. (não entendi essa frase!)

Melhor trilha sonora:
O Aviador
Howard Shore é REI!

Melhor canção original:
“Veruca Salt”, de Danny Elfman e Roald Dahl (A Fantástica Fábrica de Chocolate)
Era certo que Danny Elfman iria ganhar aqui, concorrendo com quatro das cinco canções indicadas. Mas nenhuma das outras faz uma dança tão bem sincronizada com o filme e a cena em que se apresenta. Não achei que pudesse ser tão maravilhoso ver Veruca ir parar no lixão.

Melhor fotografia:
O Aviador
Robert Richardson, bicampeão!

Melhor relançamento:
Terra em Transe; dir: Glauber Rocha
No mínimo, no mínimo, um dos cinco melhores filmes do cinema nacional. A restauração tarde, mas não falha.

Melhor filme infantil:
A Fantástica Fábrica de Chocolate; dir: Tim Burton
Feliz em ver Tim Burton de volta ao lado negro.

Melhor documentário:
Camelos Também Choram; dir Byambasuren Davaa e Luigi Falorni
Não é porque fizeram ficção com material documental. Mas pela doçura do olhar e por estarem tão dentro daquela aldeia. Mamãe!!

Melhor seqüência:
A visita ao pior diretor do mundo (Os Produtores)
Certamente as melhores e mais fortes risadas do ano.

Melhor direção de arte:
A Fantástica Fábrica de Chocolate
A fábrica dos sonhos e dos pesadelos fica mais real.

Melhor figurino:
A Noiva-Cadáver
Trabalho meticuloso de anos. O filme é tão lindo...

Melhor maquiagem:
Desventuras em Série
Só pra copiar o Oscar!

Melhor edição:
O Signo do Caos
Sganzerla e Silvio Renoldi de mãos dadas, fazendo o melhor filme brasileiro sobre o Brasil.

Melhor som/edição de som:
A Menina Santa
Inexplicável. Planos de imagem fechados e planos de som tão abertos que fazem o espectador ir pra dentro do filme de uma maneira chocante. E o teremim é elemento indispensável.

Melhores efeitos especiais:
Sin City – A Cidade do Pecado
O futuro. Hahahahaha adoro!

Atriz mais bonita:
Rachel McAdams por Vôo Noturno e Penetras Bons de Bico
Que coisa mais linda, mais cheia de graça. Owen Wilson sortudo.

Ator mais bonito:
Cillian Murphy por Batman Begins e Vôo Noturno
Outro bicampeão. Cada vez mais lindo e bizarro. MAS esse ano (2006) ele não vai ser indicado por Café da Manhã em Plutão nem fudendo! Vou logo avisando!!!

Pior filme:
Cama de Gato; dir: Alexandre Stockler
Pior filme do ano. Pior filme do Brasil. Pior filme da História. SOCORRO!


posted by João Cândido at 3:25 da tarde